Djavan, não basta mais um dia frio para ler um livro. Agora precisamos de cozy places e luminárias quentinhas. A gente sabe que existem os que leem de verdade e os que performam leitura.
Mas a verdade é que: ler nunca esteve tão na moda! Além de levar nossos livros dentro da bolsa, podemos levá-los pendurados nela graças ao lançamento dos book charms.
Seja como objetos colecionáveis, sejam como acessórios fashion, os labubooks, como estão chamando esses livros-chaveiros por aí, estão vindo com toda a força para o mercado brasileiro de livros e eu tenho a prova!
Quer saber de onde começou essa nova onda e para onde estamos indo? Aqui nesta seção, trago as notícias mais quentinhas do Universo Literário!
O que são book charms e como surgiu a tendência?
Os book charms surgiram primeiro no mercado internacional como uma mistura entre acessório fashion e objeto colecionável.
A tendência começou a chamar atenção depois que marcas de luxo, principalmente a Coach, passaram a desfilar bolsas decoradas com mini livros pendurados como charms.
Estão lembrados que Elle Fanning foi flagrada no metrô lendo Razão e Sensibilidade numa mini edição? Bastou isso para o start da mega campanha dos book charms, uma collab entre a Coach com a Penguin Random House, transformando clássicos da literatura em acessórios de luxo.
Os modelos reproduziam livros reais em miniatura, com capa dura, lombada detalhada e páginas internas legíveis.
E a ideia rapidamente ganhou a atenção nas redes sociais porque conversa diretamente com a febre dos bag charms, dos itens colecionáveis e da estética literária que domina conteúdos de lifestyle atualmente.
Como são os mini livros usados como chaveiros?
Não pense você que os book charms são apenas versões vazias dos livros. Não, não. Os mini livros usados como chaveiros são versões integrais de obras conhecidas da literatura.
Diferente de simples enfeites decorativos, muitos modelos possuem páginas reais, acabamento em capa dura e impressão interna em miniatura.
Alguns charms reproduzem títulos famosos publicados pela própria Penguin Random House, como Sense and Sensibility, de Jane Austen, e Little Fires Everywhere, de Celeste Ng.
Além disso, os acessórios costumam vir presos a correntes metálicas e mosquetões para serem usados em bolsas, mochilas e chaveiros.
Nas redes sociais, muita gente começou a chamar os itens de labubooks, apelido inspirado nos Labubus, bonecos colecionáveis que também viraram tendência (ano passado) entre os charms de bolsa.
O apelido labubook nasceu de uma análise de branding
Os book charms ganharam um apelido curioso nas redes sociais brasileiras: labubook. O termo foi criado pela Especialista em Marketing e Branding, Mari Corrêa, em um vídeo no seu Instagram no qual ela analisa a estratégia da Coach ao transformar mini livros em bag charms de luxo.
No reels, ela brinca que havia acabado de descobrir uma nova categoria de produto e explica que os acessórios funcionam quase como uma mistura entre livros e os famosos Labubus, bonecos colecionáveis que dominaram o universo dos charms de bolsa.
O ponto mais interessante do vídeo aparece justamente quando ela observa que os mini livros não são apenas decorativos. Segundo a criadora, a grande sacada da marca foi unir dois movimentos culturais gigantes que já estavam acontecendo ao mesmo tempo: o crescimento da leitura física impulsionado pelo BookTok e a febre dos bag charms no universo fashion.
Dessa forma, os mini livros deixariam de funcionar apenas como acessórios para se tornarem símbolos de identidade, comunidade e pertencimento.
Por que os book charms vão virar tendência também aqui no Brasil?
Já viraram! Mesmo ainda sendo novidade por aqui, os book charms já começaram a aparecer entre leitores brasileiros, pois a Editora Planeta foi uma das primeiras a apostar nesse formato.
Habemus labubooks brasileiros do livro A gente mira no amor e acerta na solidão, da psicanalista Ana Suy, O alienista, de Machado de Assis, A metamorfose, de Kafka e Talvez sua jornada agora seja só sobre você, de Iandê Albuquerque.
E numa conversa com a editora, Laura Brand nos contou no TikTok, que Felipe Brandão, diretor e editor da Planeta diz que é sempre positivo para o mercado editorial ter o livro como protagonista, embora haja muita crítica sobre a leitura performática.
Eu também acredito que não importa o gênero e a forma como um livro venha parar nas mãos de um leitor em formação, ele veio. E livros, de fato mudam a vida de pessoas.

Outros itens colecionáveis literários que já conquistaram leitores
Os book charms podem até ser a novidade do momento, mas o universo literário já conhece muito bem o poder dos itens colecionáveis.
Nos últimos anos, leitores passaram a consumir cada vez mais produtos inspirados em livros, personagens e autores favoritos, principalmente com o crescimento da chamada estética literária nas redes sociais.
Assim, a leitura vem deixando de ser apenas uma experiência ligada ao texto e passou a envolver também decoração, identidade visual e pertencimento dentro de comunidades online.
Entre os itens que mais fizeram sucesso nesse universo estão as edições especiais com sprayed edges, aquelas páginas pintadas ou ilustradas nas laterais que viraram febre entre fãs de fantasia e romance.
Além disso, boxes colecionáveis, marcadores magnéticos, sleeves protetoras, velas temáticas e ecobags literárias conquistaram leitores que gostam de transformar livros em parte do próprio estilo de vida.
Muitas editoras perceberam rapidamente esse movimento e começaram a investir em kits exclusivos e versões limitadas justamente para estimular o desejo de coleção.
Outro fenômeno que começou a ganhar espaço entre leitores envolve as bonequinhas Angel. Pequenos acessórios decorativos inspirados nos Sonny Angels (que são caríssimos, mas na Shopee você encontra por um preço bem mais acessível) que ficam presos aos dispositivos como enfeite.
Ao mesmo tempo, os chamados setups para kindles são tendência entre leitores que gostam de transformar o aparelho em parte da própria estética. Já temos suportes e controles que você pode usar confortavelmente debaixo as cobertas.
Mas tem também: capas transparentes, adesivos, correntes, charms, pop sockets e combinações minimalistas ou maximalistas passaram a aparecer com frequência em vídeos de rotina literária e conteúdos de lifestyle.
Enfim, os book charms surgem quase como uma evolução natural dessa cultura de colecionismo literário que cresce cada vez mais dentro e fora das redes sociais.
Literatura em Miniatura une arte, literatura e colecionismo
E falando em itens decorativos e colecionáveis, aproveito para divulgar um perfil que gosto muito de acompanhar: @literatura.em.miniatura, criado pela escritora e artista Mariana Higa. Já falei brevemente sobre um livro da escritora aqui no blog, então se você quiser ler, clica aqui.
Além de produzir mini livros decorativos, Mariana compartilha versões reduzidas de obras conhecidas, pequenas bibliotecas artesanais e projetos personalizados inspirados no universo literário.
O trabalho chama muito a atenção justamente pelo nível de detalhe das miniaturas. Muitos livros reproduzem capas reais, lombadas e acabamentos minuciosos, reforçando o caráter afetivo e colecionável desses objetos.
Em algumas publicações, a artista também mostra miniaturas feitas sob encomenda para leitores e autores, aproximando ainda mais literatura e artesanato.
Mas como eu disse, além de ser uma excelente artista, Mariana Higa também é escritora. Seu romance de estreia se chama Cavala, publicado pela editora Patuá, e se pauta na luta contra a violência contra garotas e mulheres. Confie em mim: LEIA!
Leia mais sobre o Universo Literário:
- Como começar um clube de livro? Um guia prático feito pra você
- Por onde começar a ler Elena Ferrante sem cair direto na Tetralogia Napolitana?
Pois é… Ler nunca esteve tão na moda
Me desculpem os labubus lovers, mas chegou a nossa vez. Muito além de uma simples tendência estética, os book charms mostram como a literatura continua encontrando novas formas de ocupar espaço no cotidiano dos leitores.
Seja através de miniaturas artesanais, acessórios de bolsa ou itens colecionáveis, os livros seguem ultrapassando as páginas e se transformando também em expressão visual, afeto e pertencimento dentro da cultura digital.
Por enquanto, nenhum dos títulos da editora Planeta me chamou a atenção, mas eu já queria um A amiga Genial ou A hora da estrela para carregar comigo, não só dentro da bolsa, por aí.