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Olá, minha gente linda!

Março sempre é de uma luta intensa, não é? É, Miúcha, mesmo com cólica, com um nó no peito, com a cara dura: a gente vai postando… E no fim, o insólito da literatura não nos assusta, mas sim a próxima notícia ou a próxima estatística.

Mas vamos refletir sobre literatura e as únicas estatísticas que deveriam ser rotina. Se a gente olhar com atenção, percebe um dado simples e poderoso: somos maioria quando o assunto é livro. Sempre fomos, na verdade.

E, ainda assim, por muito tempo, não fomos nós que ocupamos o centro da história literária, nem da crítica, nem das listas de importância. Ou seja: quem mais lia não era quem definia o que importava.

E será que uma hora isso começa a mudar? Sim. Apesar da constante luta. E, pra mim, os clubes de leitura (não preciso contar, que neles também somos maioria) têm um papel decisivo nesse deslocamento.

Porque quando juntas conversamos sobre uma leitura, ela deixa de ser só uma experiência individual e passa a ser uma construção coletiva de sentido.

E, aos poucos, essa troca vira escolha. E a escolha vira essa curadoria linda, que quase sem querer (mas querendo muito), fica entre as nossas.

Mas como a gente não tem um dia de paz, posso tensionar um pouco mais esse cenário? Licença para estragar um minuto do seu dia?

Porque, ao mesmo tempo em que mulheres ampliam sua presença como leitoras, mediadoras e escritoras, a gente ainda vê certos comentários que revelam como o campo cultural continua atravessado por hierarquias muito bem estabelecidas.

Recentemente, Dudu (me recuso a tratá-lo como um ser não-infantilizado que só conhece o aquém-mar de seu umbigo) afirmou que a obra de Elena Ferrante seria literatura para adolescentes.

E, portanto, menor. Mas vejam, minha gente. Esta não é uma crítica isolada. É um gesto que se repete. Porque o problema nunca tá só no gosto. É o que se associa ao feminino.

Quando algo é lido majoritariamente por mulheres, rapidamente ganha o rótulo de menos sério, menos complexo, menos universal. E isso não acontece só na literatura. Precisamos de 97 anos para uma mulher ganhar o prêmio de melhor fotografia no Oscar. Percebem o padrão?

Tudo que se aproxima do sensível, do íntimo, do emocional e, muitas vezes, do feminino precisa constantemente se justificar. Porém, enquanto isso, os clubes de leitura vão se criando e (r)existindo. E é aqui que a coisa fica interessante.

Porque nesses espaços, a lógica é outra. Ninguém precisa justificar por que um livro importa. Ninguém precisa provar que uma experiência é válida. Ninguém precisa traduzir tudo para caber em um padrão pré-existente.

Aqui, a leitura circula. Aqui, ela se transforma. Aqui, ela ganha permanência. E talvez seja justamente por isso que esses espaços tenham crescido tanto. E precisam crescer mais.

Porque eles não apenas acompanham o mercado editorial, eles o moldam. Quando escolhemos ler uma determinada autora, discutir um tema, revisitar uma obra esquecida, estamos fazendo muito mais do que compartilhar leitura.

Estamos deslocando o eixo do que ganha visibilidade. E isso tem impacto. Mais escritoras publicadas. Mais diversidade de narrativas. Mais espaço para aquilo e aquelas que antes ficavam à margem.

A vocês, amigas e mulheres que recebem este correio: o meu muito obrigada por (r)existirem e ficarem até o final.

Ps.: ninguém fala da minha mãe Ferrante e sai ileso de meu crivo.

Dica do mês...

Nesta seção, teríamos uma pessoa convidada, mas este mês (e somente nele) resolvi eu mesma trazer uma dica de livro e de uma criadora de conteúdo que vocês precisam conhecer: Clara Barros Bueno.

Se a casa suspirasse, de Clara Barros Bueno

Publicado pela Editora Patuá, este romance ficcional com uma pitadinha de sobrenatural é a estreia de Clara Barros Bueno no universo literário.

Neste livro vamos conhecer uma família que está há anos em nosso país, quando ainda nem éramos Brasil.

Os Astrid sempre tiveram sorte. Mas a atual geração, que agora mora na grande casa que esteve há gerações na família, não.

Dizem não terem mais a mesma sorte de sempre, por causa dos brincos de Tia Rute terem sido roubados pela antiga empregada, mas será?

Uma família que sempre dançou e andou na linha conforme a música ditava.

E que de repente (não tanto assim) vê sua inexorável decadência virando a esquina.
Um livro que retoma os contratos silenciosos de um passado vergonhoso de nosso país e que abriga personagens peculiares, uma narradora surpreendente e uma casa bem espirituosa.

Um livro sensível e potente e que está na pré-venda até o dia 04 de abril no site da Editora Patuá e da Amazon.

Clara Bueno por mim...


Clara cria conteúdos no TikTok desde 2024. Começou compartilhando suas leituras e atualmente tem mais de 80 mil seguidores por lá e mais de 10 mil no Instagram.

Ela chama a atenção pela forma natural e sincera que fala de suas leituras. Sem medo de expor quando um livro não a agrada.

E não ela não abaixa a cabeça nem para os cânones. E por essa entre outras razões sou sua fã.
Já disse isso por aí, mas quero reforçar, Clara e o seu livro de estreia (sim eu já li, acho que no total foram umas cinco vezes) talvez seja a prova de que somos o resultado dos livros que lemos.

Livros em alta nas redes por aí...


  • um lançamento No rastro da mentira, de Amy Tintera;
  • link para comprar o livro da dica deste mês: Se a casa suspirasse, de Clara Barros Bueno;
  • um recém lançado pela TAG LIVROS mas chegando agora: Os nomes, de Florence Knapp;
  • um da Freidazinha para variar: A ex, de Freida McFadden;
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    Enquanto isso nos clubes...

    Nesse mês de março, no Traças-Latinas vamos ler Terra fresca de sua tumba de Giovanna Rivero, uma escritora boliviana que não mede esforços nesses contos.

    Você pode comprar o livro no site da Editora Jandaíra com desconto, usando o cupom especial concedido por eles: TRACAS30.

    Já no Traçaria-Literária, os participantes escolheram o livro Água fresca para flores, de Valérie Perrin. Com ele vamos acompanhar uma sensível história de amor no peculiar cenário de um cemitério (oi?)

    No Lendo Mulheres Pelo Mundo, estamos em Moçambique acompanhando uma história poligâmica em Niketche e em breve vamos para Venezuela, conhecer a escrita de María Elena Morán em Voltar a quando.

    E já que ele veio para ficar no clube presencial Traças & Ronrons, lemos em março o cozy mistery de Dolores Hitchens e nos divertimos muito com Rachel Murdock, em A gata viu a morte. E vamos ler agora em abril, Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa.

    Tá Blog da Traça-Livros...

    Território selvagem: a crítica feminista além do cânone

    O conceito do território selvagem, proposto por Elaine Showalter, revela como a escrita feminina escapa ao cânone e redefine a crítica literária, ampliando vozes, formas e modos de leitura na contemporaneidade.

    Leia mais
    Cena de Na companhia dos lobos, adaptação de um livro de Angela Carter para representar o território selvagem da escrita feminina de Elaine Showalter.

    Conceição, seu menino grande e o fio narrativo

    Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo mergulha em afetos, desigualdades e memórias que provocam reflexão e envolvem o leitor do início ao fim.

    Leia mais
    Desdobramento sobre Sankofa: ilustração feita por Antônio Obá para o livro Canção para ninar menino grande de Conceição Evaristo.

    Nós somos as netas leitoras das bruxas escritoras que vocês tentaram calar...

    Clubes de leitura revelam por que mulheres lideram o público leitor e transformam a experiência de leitura.

    Leia mais
    Cena do filme Da magia à sedução para relacionar com os clubes de leitura e a presença do público feminino.

    Escrita feminina: das margens ao protagonismo

    A evolução da escrita feminina e seu impacto no cânone literário ao longo da história.

    Leia mais
    Adaptação de Mulherzinhas de Louisa May Alcott.

    Escritoras brasileiras que você precisa conhecer

    O que acha de conhecer 12 escritoras brasileiras que não podem faltar na sua estante!?

    Leia mais
    Fotos de 12 escritoras brasileiras que todo mundo precisa conhecer.

    Parças da Traça & Cupons...

    Nesta seção você sempre vai receber indicações de livros editoras parceiras dos meus projetos e cupons de desconto para comprar em seus sites!
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    Bom vou encerrando por aqui nos vemos em breve.
    Até o próximo correio!
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