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Olá, minha gente!


Preciso mesmo compartilhar com vocês um triplex que aluguei aqui na minha cabeça de tracinha: afinal, estamos lendo, performando ou comprando livros por comprar?

Geralmente, vídeos nos quais leitores compartilham a quantidade de não lidos na estante me assuntam de um tanto, que eu fico uns 3 dias sem olhar para as minhas. Porque se eu olho passo a me cobrar se estou lendo o tanto que estou comprando...

Bom, como leitora (barra-professora) confesso que vi com bons olhos essa transformação no mercado literário acontecendo. Porque eu estava lá, Gandalf. Eu estava lá há 3000 anos... quando criticavam pelos corredores da faculdade que os jovens de hoje em dia não leem mais.

Mas eu também vi o BookTok e o BookGram transformar as vendas de livros, como há muito tempo havia acompanhado nas vendas de livros de Nicolas Spark, John Green, Stephanie Meyer e E. L. James (eu trabalhava numa livraria, então eu posso dizer com toda certeza).

Eu mesma fui influenciada a comprar títulos que hoje eu a-do-ro, como: Pessoas Normais, Suíte Tóquio e Me chame pelo seu nome. Foi lindo de se ver! Livros voltando às listas dos mais vendidos, clássicos sendo redescobertos, autoras ganhando visibilidade e a leitura voltando a ocupar um espaço vibrante nas redes sociais.

Porque agora ler tá na moda! Inclusive, viram o novo charm de bolsa nas passarelas de desfile de moda? Muito melhor que os Labubus e eu já quero um.

Além disso, ver jovens falando de livros com entusiasmo, criando espaços de leituras conjuntas, indicando obras e emocionando outra pessoas é algo que há alguns anos atrás poderia parecer improvável.

Mas não vou mentir que eu sei que existe um outro lado. A lógica das redes é a da velocidade. Daí você vê o algoritmo favorecendo o que mais viraliza. E aí, pouco a pouco, a leitura pode deixar de ser experiência para se tornar performance.

Metas mensais e anuais, pilhas de livros comprados, estantes impecáveis, book hauls mensais. É muito mais sobre o que se comprou, nem tanto sobre o que se leu (mas não tô me incluindo fora dessa lista, porque pra competir ali, né minha G.H., só comendo uns sangue de barata).

Mas, para mim, o problema não está em indicar livros, porque falar de literatura é uma forma de mantê-la viva. O problema está em quando o desejo de partilhar se transforma em pressão para adquirir.

Pior ainda quando o livro vira um objeto de identidade estética. Quando a quantidade substitui a permanência e principalmente quando vemos uma pauta importante sendo explorada e abusada por perfis vazios com mais de 80 mil seguimores, viu.

Como vocês podem ver, nesse cenário, há ganhos inegáveis, como democratização da conversa literária, valorização de autoras antes ignoradas, formação de comunidades de leitura (inclusive AMO vocês) e a reativação do mercado editorial.

Mas há também os riscos, como incentivo ao consumo impulsivo, homogeneização das recomendações, superficialidade das análises e a leitura apressada para 'dar conta' de alguma próxima tendência.

Mas talvez o problema não esteja no booktoker ou no bookgram e sim na reverberação desses conteúdos na gente mesmo! Porque, existem perfis e perfis... E uma dica minha sempre está naqueles que se preocupam em destrinchar o livro que estão lendo.

E, é claro que eu tenho uma wishlist com livros que meus amigos booktokers me indicaram, mas eu sei que vai ser impossível ler tudo neste ano.

Eu, pessoalmente, acredito que falar sobre livros é essencial (afinal, minha rotina meio que depende disso), mas precisamos reaprender a habitar o tempo da leitura.
  • Nem todo livro precisa ser comprado.
  • Nem todo livro precisa ser lido imediatamente.
  • Nem toda recomendação precisa virar obrigação.
  • E tá tudo bem ler um livro que não esteja na #trend.
Ter apenas um livro que você quer ler, marcadores de páginas, posts-it e um lápis (no meu caso) é a única coisa que você vai precisar para ser um leitor. Mas e por aí? Você lê no seu tempo, ou no tempo do algoz-ritmo?

Dica do mês...

Nesta seção, sempre teremos pessoa convidada por mim para dar uma dica de livro! E a dica deste mês fica com a Sara Acioli, do @vestigiosliterarios.

A Elegância do Ouriço da Muriel Barbery

Um prédio elegante no centro de Paris; uma desconfiada zeladora de meia-idade, fã de Tolstoi e do Oriente; uma garota cáustica, às turras com a família; um senhor japonês sorridente e misterioso.

A Elegância do Ouriço, escrito por Muriel Barbery, é um romance que mergulha nas profundezas da vida cotidiana para revelar beleza nas interações humanas aparentemente comuns.

Através das vozes de duas personagens principais, Renée e Paloma, o livro nos leva a uma jornada emocional e intelectual, explorando temas como solidão, arte, filosofia e, de forma significativa, o envelhecimento.
Esse livro me marcou porque fala de quem passa despercebido, mas sente e pensa profundamente. Mostra que a sensibilidade mora no silêncio e que há beleza em existir sem fazer barulho.

Sara Acioli por ela mesma...

Olá eu sou a Sara Acioli, tenho 32 anos, sou educadora e apaixonada por literatura desde sempre, uma parte engraçada da minha história com os livros é que meus pais não me permitiam ler ficção já que eram evangélicos, então eu lia escondido, emprestava na biblioteca e levava pra casa ou lia pela escola mesmo o máximo que puder.

Além de livros adoro cacarecos antigos (tenho uma alma de 80 anos): discos de vinil, CD, DVD, amo passear nos sebos, antiquários e museus.
Falo de livros e da vida no @vestígiosliterarios





Livros em alta nas redes por aí...


  • um de não-ficção: Um hino à vida, de Gisèle Pelicot
  • um que vai virar filme este ano: A hipótese do amor, de Ali Hazelwood, que tá com 15% de desconto com o cupom: HAZELWOOD15
  • um lançamento: Ilhas suspensas, de Fabiane Secches, que tá com 10% de desconto usando o cupom: RADIO2026
  • um que li no Clubinho da Dudy e recomendo pra abstrair do mundo: A inquilina, da Freida McFadden
    Quer apoiar os projetos da Traça-Livros?
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    Enquanto isso nos clubes...

    Nesse mês de março, no Traças-Latinas vamos ler Gosma Rosa, da Fernanda Trías, traduzido por Ellen Maria Vasconcellos. Vamos viajar até o Uruguai para entender o que é o insólito para esta escritora. E você aí está mais que convidad@ para nos acompanhar nessa jornada.

    Você pode comprar o livro no site da Editora Moinhos com desconto, usando o cupom especial concedido por eles: TRACAS30.

    Já no Traçaria-Literária, os participantes escolheram o livro Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa, traduzido por Rita Kohl. Com ele vamos acompanhar o gato Nana que está viajando pelo Japão.

    Tá Blog da Traça-Livros...

    Da infância à velhice: o que é o romance de formação?

    O romance de formação acompanha o amadurecimento do protagonista. Dos clássicos aos brasileiros contemporâneos, ele explora identidade, tempo e experiência.

    Leia mais
    Adaptação do romance de formação Dom Casmurro de Machado de Asssis.

    O que faz um livro ser clássico e por que lê-los?

    Adaptação do livro clássico de Liev Tolstói, Anna Karenina, vivido por Keira Knightley.
    Aqui vamos discutir o que define um livro clássico, diferenciar clássico e cânone e revisitar Ítalo Calvino para pensar a leitura além do academicismo.

    Leia mais

    Livros perfeitos para clubes de leitura conjunta que você pode escolher para o seu!

    Buscando livros perfeitos para clubes de leitura conjunta e não sabe por onde começar a lista? Tá no lugar certo.

    Leia mais
    O sucesso de um clube de leitura começa com a escolha de livros perfeitos para clubes de leitura conjunta. Aposte nessas listas.

    Lendo a Irlanda: o não dito em Pequenas coisas como estas

    Cenas da adaptação do livro Pequenas coisas como estas, livro de Claire Keegan.
    Em Pequenas coisas como estas, Claire Keegan expõe o peso do silêncio diante das lavanderias de Madalena. Com uma narrativa mínima e cortante, o livro provoca o leitor a encarar escolhas morais que muitos preferem evitar.

    Leia mais

    Vem aí um novo filme baseado em o Morro dos ventos uivantes, mas vamos falar sobre o livro?

    Morro dos ventos uivantes é um clássico intenso que mistura amor, vingança e cenários sombrios. Descubra por que a obra de Emily Brontë ainda emociona leitores e permanece atual.

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    Close-up nos personagens de Heathcliff e Cathy na adaptação de Morro dos ventos uivantes de 1970.

    O medo que se anuncia e o medo que se revela: qual a diferença entre terror e horror?

    Quando falamos de narrativas do medo, tudo vira terror. Mas nem todo medo é construído da mesma forma, e nem todo desconforto nasce da mesma fonte.

    Leia mais
    Cena da adaptação de Carrie, A estranha de Stephen King. Filme de 1977.

    Parças da Traça & Cupons...

    Nesta seção você sempre vai receber indicações de livros editoras parceiras dos meus projetos e cupons de desconto para comprar em seus sites!
    Já pensou em fazer parte do clube de livros da TAG LIVROS? Todo mês na caixinha vem uma leitura surpresa com edição exclusiva e um mimo literário.
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    Bom vou encerrando por aqui nos vemos em breve.
    Até o próximo correio!
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